21 de setembro de 2011

Quando respostas velhas não ajudam mais

por Rodrigo Ferreira

Vamos seguindo a nossa vida e entrando em contato com todos os tipos de “soluções” para os nossos problemas. Falo aqui dos problemas psicológicos, aqueles da esfera dos sentimentos, pensamentos, emoções, impulsos, comportamentos e tudo o mais que a psicologia já se propôs a estudar e entender em cada uma de suas diferentes correntes teóricas. Às vezes o problema não é tão complicado, de modo que uma meia dúzia de dizeres tirados do livro de auto-ajuda mais próximo ou uma análise de boteco dão conta de resolver a querela. Ou dar impressão de que elas estão resolvidas. Sim, porque existe uma boa distância entre algo “resolvido” e algo que parece resolvido. Quantas vezes já não bateu aquela sensação de que, dali em diante, por alguma razão (uma dieta nova, um(a) namorado(a) novo(a), uma conversar cheia de insights e etc), tudo vai ser diferente? Só para que depois vejamos que as coisas não mudaram tanto assim e, se mudaram, não foi tão para melhor quanto achávamos. A própria noção de algo “resolvido” é complicada e se debate muito na psicologia se é mesmo possível dar um problema como definitivamente solucionado. Mas o que não se debate na psicologia, não é mesmo? Eu não sou psicólogo (ainda), mas mesmo na minha incipiente formação já pude perceber: tudo se debate o tempo todo. Os acordos acontecem, mas dentre quem escolhe o mesmo “time” (entenda time como uma das diversas possibilidades teóricas de trabalho da psicologia). Times diferentes, e aqueles que gostam de futebol entendem bem disso, não se conversam muito bem e fica um torcendo pro outro se dar mal. Às vezes de fininho, às vezes na cara-de-pau mesmo. E seguimos nos debatendo feitos peixes fora d’água nesse mundo de possibilidades e incertezas que é se lançar a ajudar alguém a solucionar os próprios problemas.

Isto se resolve frito, isto se resolve assado, este vai a banho-maria pra depois gratinar, são diversas as receitas que se multiplicam por aí. Cada uma deve dar certo para cada pessoa dependendo de quem é o terapeuta e de quem é o paciente/cliente. No mundo da subjetividade não existem certezas definitivas, apenas possibilidades. E aqui entra a questão central deste texto: e quando já se tentou de tudo e problema persiste? E quando o Zé continua sofrendo depois de já ter tentado de tudo um pouco. Foi ali na análise, foi ali na gestalt e no existencialismo, foi ali na massagem, alinhou os chakras, tomou floral, meditou e não melhora. E quando a situação parece tão crônica que a impressão é que a mazela foi adquirindo resistência aos diversos tratamentos e para o Zé não existe mais aquela sensação de que tudo vai ser diferente dali pra frente? E o Zé é inteligente, é “funcional”, mas não se sente bem. E aí? Como faz?

Se você acha que eu vou dar a solução, se enganou. Se eu soubesse, eu vendia e ficava rico, porque eu imagino que deva ter um monte de gente como o Zé por aí. Eu estou pensando mesmo é na pergunta e de como é mais fácil quando as respostas são novas, quando nós as ouvimos pela primeira vez e elas nos impressionam. Porque aos poucos a novidade diminui e parece que a nossa incrível capacidade de problematizar as coisas vai encontrando meios de desviar das soluções mais óbvias. Não é qualquer “se a vida te der um limão, faça uma limonada” que vai nós animar. Não é qualquer citação bonita de Einstein, não é descobrir “O Segredo”, nem sequer o trabalho perspicaz de um bom terapeuta. Quando tudo parece clichê, repetido e tem gosto de queijo prato, como resolver as mesmas questões que voltam agora mais fortes depois de terem sobrevivido a toda sorte de “soluções”?

2 comentários:

  1. Esse é um excelente questionamento de alguém que provavelmente será (apenas "oficializando com um diploma") um excelente psicólogo... Aliás nunca te perguntei onde estuda, pois a mulher do meu pai é professora de psicologia na Veiga de Almeida da Tijuca/RJ e de alguma outra faculdade da Barra...

    Bem quanto as "soluções", é claro que não existe receita de bolo, mas desde muito tempo me dei conta de que a filosofia, essa sim é a "verdadeira auto-ajuda", pois auto-ajuda é antes de tudo autoconhecimento.

    Portanto, de todas as "soluções", tem duas ou três que gosto muito:

    Primeiro, obviamente, conhece-te a ti mesmo...

    Segundo, dos estóicos: preocupe-se somente com aquilo que lhe cabe mudar, pois angustiar-se com aquilo que não pode mudar (incluindo como será exatamente o futuro próximo) é inútil.

    E terceiro, uma coisa que a mãe do Chico Xavier falava direto pra ele, mas que também é um ensinamento bem antigo:

    Isso também passa.


    Abs!
    raph

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  2. Ola Raph, obrigado pelo voto de confiança quanto ao meu futuro como psicólogo.

    Eu estudo na UERJ.

    :-)

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