30 de novembro de 2011

Homossexualidade na pós-modernidade


Na pós-modernidade surge uma pluralidade de reivindicações heterogêneas onde o ideal de homogeneidade não se vê privilegiado. As reivindicações de grupos heterogêneos que buscam seu espaço na sociedade (movimento feminista, homossexual, etc.) deflagram o fato de que uma verdade única não pode atender essa demanda. As velhas identidades, responsáveis em estabilizar o mundo social, hoje se encontram em declínio.

Durante a modernidade, muitos grupos procuraram se afirmar como detentores da verdade única dentro de um contexto, regidos até por certo proselitismo. Aqueles que viveram na modernidade foram educados a se sentirem confortáveis quando em condições de certeza e infelizes diante das contingências. Por mais que acreditamos sermos o mais correto possível, somos apenas mais uma voz dentre as diversas formas de saberes que também podem atender as necessidades dos indivíduos.

A pós-modernidade é nesse sentido fraca em exclusão, uma vez que deflagra a possibilidade da existência da diversidade, seja de saberes ou mesmo modos de vida ou gêneros. A sobrevivência na contingência só é possível quando percebemos que o direito do outro a sua estranheza é única coisa que garante meu direito a ser estranho. Não há razão, portanto, em qualquer tipo de discriminação.

Atualmente podemos analisar muito bem esse contexto devido ao momento que o país está passando. Surge a demanda de espaço por um novo grupo (que não é novo em termos de tempo de existência, mas sim como força política) que é o movimento de novos gêneros sexuais, representados pela sigla LGBTTI, e a sociedade se mostra conservadora quanto a abraçar esse grupo dentro da normalidade. Sua imagem choca o cidadão comum.

Mas o que acreditamos ser o senso moral, é na verdade a expressão da história de nossa época em nós. O mundo transforma-se de forma aleatória ad infinitum, mas prisioneiros da idéia de limite e ordem, construímos barreiras para impedir o fluxo das transformações. A multiplicidade nos aflige. Os movimentos de gênero não atendem nossas constâncias de valores, pois é um paradigma que foge ao binarismo clássico. As velhas identidades, no entanto, estão sendo obrigadas a ceder espaço ao pluralismo, e a heterossexualidade não pode ser mais defendida como a única forma verdadeiro de sexualidade.

Podemos discordar, negar, refutar, questionar, enfim, não compartilhar do interesse desses grupos de novos gêneros sexuais. Só não podemos desrespeitar o direito do outro a sua "estranheza". Até porque o direito a estranheza dele é a única garantia que o direito a minha suposta "normalidade" seja mantida.

O mundo traz transformações. Só nos resta compreender o outro, e sermos mais humanos.

1 comentários:

  1. Acho que vai sair um tanto enrolado, mas vou tentar não deixar muito confuso rs

    Durante o desenvolvimento embrionário, a formação das diferentes estruturas de um organismo depende da sinalização vinda de outras células, seja através da secreção de proteínas ou hormônios. Na espécie humana, machos e fêmeas possuem estruturas análogas durante o período embrionário, que dependem de sinalização pra se diferenciarem em estruturas típicas de macho ou fêmea. Essa sinalização é feita através da testosterona produzida pela mãe.
    Entretanto, esses processos de sinalização exigem competência da célula em entender o sinal sendo transmitido. Um homem (XY) tem receptores para testosterona diferentes da mulher (XX), embora algumas vezes possam existir "anomalias" e um humano que possua XY no seu cariótipo não tenha os receptores adequados e venha a se desenvolver como mulher.

    Sendo assim, há duas situações "típicas". Uma homem XY com receptores pra testosterona e uma mulher XX com receptores diferentes... Mas como nenhum indivíduo é igual a outro, a "qualidade" e "quantidade" dos receptores tende a variar, gerando uma gama de variações que vai das duas situações típicas citadas até várias outras situações que envolvem outros tipos de comportamento sexual. É algo de funcionamento parecido à genes de penetrância variável, como os que condicionam a cor de pele... Existem indivíduos de pele muito clara e indivíduos de pele muito escura, e diversas variantes pelo meio do caminho.

    A conclusão mais simples é que, assim como não há nada de errado em ter qualquer tonalidade de pele, não há nada de errado em possuir qualquer comportamento sexual. Resumidamente, qualquer coisa que se diga de modo a desrespeitar a condição sexual alheia é, além de politicamente incorreta, algo que não encontra fundamentação biológica, visto que não há nada de errado.

    ResponderExcluir