"Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado,
dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado,
controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para
isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude... Ser governado
significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é
anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada
monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou
desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida.
Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado,
redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado,
roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então,
ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos
reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados,
espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados,
sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para
completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é
o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! ... Oh personalidade
humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta
séculos?"
Pierre-Joseph Proudhon, (1809 - 1865). Francês, fundador do Anarquismo.
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